É engraçado como costumamos usar essas palavras como sinônimas não é mesmo?! Ultimamente fui levada a pensar sobre a diferença entre esses dois termos, aproveitei para fazer também uma pesquisa no dicionário e encontrei fatos interessantes. De acordo com o dicionário compaixão é: Sentimento benévolo que nos inspira a infelicidade ou o mal alheio; dó; lástima; piedade. Incrível como não vemos a palavra pena como sinônimo não é mesmo?! E a primeira definição de pena é: Punição, castigo imposto por lei a algum crime, delito ou contravenção.
Ao ver tais definições tive certeza de que realmente havia algo errado nas minhas atitudes frente às pessoas! E que as definições que dei a esses dois termos ao pensar sobre eles eram realmente corretas. A primeira vez que pensei sobre o assunto percebi que a pena é egoísta, ela não surge quando pensamos nas necessidades dos outros, mas sim nas nossas, é na realidade uma forma de aliviar a nossa própria consciência por isso ela é definida como castigo e punição, quando sentimos pena é porque achamos que estamos errados, por exemplo: Quando eu dou uma moeda para uma criança no sinal, geralmente a minha atitude é para aliviar minha culpa e dizer, fiz minha boa ação do dia porque, na verdade não estou pensando no bem-estar real dela, mas em me satisfazer por aquele momento, se eu realmente parasse pra pensar no bem-estar dela a encaminharia para uma instituição séria que cuidaria dela e faria minha doação a esta instituição porque isso sim resolveria o problema dessa criança que sofre.
Quando pensei sobre compaixão logo me veio à mente o amor de Deus, um enorme amor que se anula, anula sua vontade para me ajudar na minha necessidade. A compaixão é uma doação e os sentimentos são totalmente voltados para a necessidade do outro. No livro de I João é muito bem retratado esse amor de Deus que devemos seguir, no capítulo 3, verso 16 ele diz: “Nisto conhecemos o amor; que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos.” Essa é a verdadeira compaixão e Deus além de anunciá-la também deu a nós o exemplo enviando seu único filho para morrer por nós sem ser culpado de absolutamente nada do que acontecia conosco já que a morte é conseqüência do pecado como diz o Tiago 1:15 “Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.” Ele não tinha nenhuma obrigação de nos ajudar, nós que tanto o rejeitamos, mas mesmo assim, Ele na sua infinita compaixão agiu com benevolência para conosco e nos deu o exemplo que como agir em relação aos outros e além de tudo deixou todos esses fatos registrados na bíblia para que todos nós pudéssemos saber como agir “Aquele, entretanto que, guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou.” I João 3:5-6
Às vezes a gente se pergunta, por que certas coisas que fazemos para o bem dos outros param pela metade? Por que nós já não resolvemos problemas como a fome e a miséria gerados pela desigualdade? Talvez seja exatamente porque agimos por pena e não por compaixão. Eu fui pega por essa revelação! Quantas vezes eu me senti satisfeita em ajudar alguém... quantas vezes isso foi alimento para a minha alma... E nós, como igreja de Cristo, quantas vezes temos agido por pena e quando estamos satisfeitos largamos as pessoas famintas? Será que estamos andando assim como Ele andou?
muito lindo o texto!!
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